SAÚDE TOTAL
CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA
OS CAMINHOS DA SOLIDÃO
É
lógico que não chegamos no patamar em que nos encontramos, no que diz respeito
a epidemia de solidão, de uma hora para outra. Muitas coisas aconteceram que,
somadas, nos levam a estatísticas não tanto agradáveis de se ler.
Um
estudo feito no Reino Unido em 2019 revelou que a discriminação racial, étnica
e xenófoba no trabalho e/ou na vizinhança muito contribuem para o sentimento de
solidão. Por mais incrível que possa parecer, hoje em 2026, vemos tais situações
se repetirem diante de nossos olhos.
Não
podemos esquecer da migração em larga escala para as grandes cidades, mudando
nossa forma de viver, principalmente forçando o local de trabalho a se
reorganizar.
Acresce
que o trabalho, pelo menos alguns, cada vez mais informatizado, tem propiciado
que a conexão entre as pessoas seja cada vez mais escassa. Tudo pode ser
comprado ou resolvido pelo computador ou celular. Até cultos em igrejas podem
ser vistos online. Sem falar em reuniões ou encontros entre amigos e familiares
que o aplicativo zoom pode resolver
muito bem. As pesquisas revelam que diante desse cenário, temos nos tocado
menos e feito menos sexo.
Olhando
para trás percebemos que sobrevivemos a uma pandemia do Covid 19, e não é
necessário gastar linhas dizendo que esta foi responsável por muito do que
estamos vivendo, em muitos sentidos, sobretudo a solidão.
Mas
antes disso, nos idos de 1980 uma forma de governo bem cruel para a
conectividade entre os humanos foi instaurada: o neoliberalismo. A ideologia
por trás do neoliberalismo dá ênfase a livre escolha, livre mercado, liberdade.
Cria uma ideia de que somos autossuficientes e dá destaque a uma mentalidade
competitiva que coloca o interesse pessoal e esmaga o interesse coletivo. E por
que foi tão difundido? Tão aceito? Porque aumentou a renda e a riqueza em
muitos países. Evidentemente que quem ganhou já eram os grandes empresários. Ganharam
de um lado, perderam de outro. Na verdade, nesta matemática, todos nós estamos
perdendo muito.
(Na próxima conversa continuaremos o assunto).
Um grande abraço para você!

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