SAÚDE TOTAL
CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA
COMO FUNCIONA A MENTE SOLITÁRIA
A
solidão é tão devastadora que ela atinge uma ação inconsciente extremamente
necessária para a vida humana: a empatia.
Diversos
estudos têm mostrado que as pessoas solitárias têm uma resposta mais hostil às
ações de outros, como o estudo da professora de Harvard, Jacqueline Olds. Ela
diz que pessoas que são solitárias se revestem de uma casca protetora que nega
a necessidade de companhia.
Outro
estudo revela que as pessoas solitárias têm um nível tão reduzido de empatia,
como dizemos no início da conversa que, muitas vezes, ficam alheias ao
sofrimento de outras pessoas. Isso acontece porque a parte do cérebro ligada a
empatia – temporoparietal – tem sua atividade reduzida.
Também,
o córtex visual, que é a parte do cérebro que normalmente processa o estado de
alerta, atenção e visão, é estimulado. Isso significa que as pessoas solitárias
reagem rapidamente a algum estímulo, ou seja, agem mais pela vigilância que
pela perspectiva.
Todavia,
a solidão não é um estado individual. E já percebemos isso nos escritos que
estamos desenvolvendo. Houve um estudo realizado no King´s College de Londres
com 2 mil adolescentes de 18 anos em 2019. Os estudiosos pediram para que os
participantes e seus irmãos, pudessem avaliar a cordialidade dos vizinhos. Os
irmãos mais solitários consideraram a vizinhança menos cordial e menos
confiável do que o irmão ou a irmã que sofriam menos de isolamento. Segundo o
professor John Cacioppo, a solidão opera moldando o que as pessoas pensam e
esperam umas das outras.
E se
pensarmos em uma questão macro diante destes ditos, quantas mudanças sociais
poderiam ser estabelecidas se a raiva, a hostilidade, a propensão para
considerar o ambiente ameaçador, insensibilidade e empatia diminuída não
fizessem parte do cérebro solitário de boa parte da população que habita neste
planeta.
E sigamos
pensando...
Um
grande abraço para você!
