SAÚDE TOTAL
CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA
A VERGONHA
A bem
da verdade, a vergonha é um dos sentimentos mais presentes em nossas vidas e
que nos proporciona uma profundidade de reflexão ora nunca pensada.
Além
de ser um limitador, pois quando sentimos vergonha, esta emoção se torna
dolorosa, pois nos atinge de maneira global; pode ser um regulador social, por
impedir que ajamos de maneiras não muito ortodoxas.
Acontece
que, se formos pegos realizando alguma atividade ilícita, a vergonha se
manifestará e não teremos como fugir dos resultados, mas também podemos prever
o resultado final de algum contexto e nos preparar para uma possível vergonha
que possa acontecer. Nesse caso, o enfrentar torna-se menos problemático.
A
origem da palavra Vergonha está ligada a reverência, a respeitar, pois vem do
latim verecundia. Tal conhecimento já
nos dá o entendimento que este sentimento transfigura: é uma emoção que tem relação
com dois ou mais sujeitos.
Mas se
formos pensar mais argutamente, entenderemos que o que nos faz sentir vergonha
é o temor da desconexão. Como a vergonha está relacionado a atos, ações que
realizamos, tais fatos revelam quem nós somos, doando-nos o medo da possível
avaliação que a pessoa ou as pessoas terão da gente.
Isso
tudo acontece porque ao nos relacionarmos, nós criamos expectativas em relação
às pessoas e vice-versa. A angústia de não se encontrar a altura dessas
expectativas faz com que sintamos vergonha, por medo da frustração nos levar a
perder uma conexão.
Mas
mesmo diante de tudo isso, não podemos perder de vista que, a vergonha é uma
das emoções mais capazes de nos levar a autoconsciência, por isso ela é muito
sofisticada. Como já relatamos acima, ela nos faz pensar em nossos atos, desta
forma, nos incita a pensar sobre eles, nos levando ou não a mudança de
comportamento, porque para sentir vergonha, “é necessário que haja uma reflexão
sobre si mesmo e sobre o outro simultaneamente” (BILENKY, 2016, p. 25).
Que sigamos
pensando...
Um
grande abraço para você!

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